Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

domingo, 24 de setembro de 2017

VENDEDORAS

VENDEDORAS
       A Cacilda vende empadas de sabores diversos indo do frango ao camarão, do tomate seco ao palmito.
      A Gabriele vende queijos produzidos em Minas Gerais e distinguidos por regiões tão competentes quanto exitosas no trabalho que realizam.
      A Lorena vende chocolates em formatos graciosos e servidos para ocasiões especiais ou para distrair o paladar por tantas vezes realçado pelo desejo de experimentar sensações, digamos, mais prazerosas.
     A Fernanda vende equipamentos eletrônicos, a Blenda vende tintas, papéis, pincéis e mais uma variedade enorme de artigos para o convívio com as artes plásticas.
     Tanta gente vendendo tanta coisa e eu aqui pensando no que preciso comprar para atender à demanda das minhas necessidades básicas.
      WWW.hellowebradio.com ... propósito de vendas diversas.
Belo Horizonte, 24 setembro 2017
ANTES OU DEPOIS?
     Antes de dormir, penso no vôo do amanhã. Ainda que o dia esteja amanhecendo, o amanhã ainda não acordou em mim. Acordo ou sou acordado pelo amanhã?
     Antes de dormir, fujo da confusão dos pensamentos. Lembranças vindas de tantos lugares. Tento entende-las, percebe-las melhor. Mas nem sempre consigo. Durmo ou sou adormecido pelas lembranças?
     Antes de dormir um vôo. Estranha navegação. A saudade do mar surge em ondas muito fortes. O céu no mar confunde o espaço das idéias. Acordo ou sou acordado pelo mar?
     Antes de dormir um mistério. Não sei se tenho sono, ou se é o sono que me tem.

Belo Horizonte, 11 novembro 1998

sábado, 23 de setembro de 2017

MEDIOCRIDADE

MEDIOCRIDADE
      Acontecimentos que chamam por nossa atenção, mas que não fazem por merecer consideração maior. São situações demarcadas talvez pela distração, ou pela traiçoeira insensatez de quem não consegue perceber a mediocridade afogando a discrição.
      O ridículo tem vínculo direto com o constrangimento manifestado pela observação acordada de maneira inesperada. De repente eis que bem diante de nós aparece o que seria melhor permanecer desaparecido, porque existem momentos que, além de provocar, afrontam nossa paciência.
      Mais vale o recolhimento proposto pela fé, do que a exposição escancarada pela vulgaridade brotada de buscas realçadas pela inconveniência.
      WWW.hellowebradio.com ... seu jeito simples de ser quem é.
Belo Horizonte, 23 setembro 2017
A MENSAGEM
     Era madrugada quando recebi aquela mensagem. Nada de especial. Ainda assim, dormi aliviado.
     Acordei com a conclusão em minha mente, de que nunca acordamos do mesmo jeito. Há sempre uma espécie de renovação. Resolvo dormir mais um pouco. O dia parece tranqüilo. Mas sinto haver certa aflição no intimo.
     Reconheço as paredes e o relógio no pulso ainda sonolento. A mensagem acorda a lembrança. A água, na transparência do tempo, inunda de sugestão a manhã regada em flores tão simpáticas quanto viçosas.
     Saio sabendo que hoje não estarei com a Marileia. Ela continua em Brasília.

Belo Horizonte, 22 outubro 1998

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ATRASADO

ATRASADO
      O tempo resolveu ficar mais rápido do que eu. Quer apostar corrida?
      Coisa mais sem sentido querer o tempo desafiar velocidade que dou ao que faço. Mais chato ainda é ter que encarar imprevistos vindos de objetos bobos que desaparecem como que por encanto justo quando preciso deles. Nem faz tanto tempo fiz uso do que agora sumiu assim, do nada.
     O tempo passa como se estivesse tudo muito bem, mas não me sinto bem quando sou forçado a transitar pelo atraso acelerando o passo até alcançar hora ajustada ao meu tempo. A propósito, o meu tempo será meu mesmo?
      WWW.hellowebradio.com ... empenho em sempre ser pontual.
Belo Horizonte, 22 setembro 2017
BEIJO NA BOCA

Na flor do beijo
O beija-flor
Tão veloz
Quanto surpreendente.
No calor da flor
A cor do beijo
Tão veloz
Quanto surpreendente.
Na repetição do gesto
O outro beijo
Do beija-flor.
No bico da intenção
A boca do beijo
Na boca da flor.


Belo Horizonte, 03 outubro 1998

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

SURPRESAS


SURPRESAS
      Será possível dizer com quem encontraremos ao passar dos dias? Podemos sim marcar encontros, combinar lugares em que estaremos naquele horário e deixar tudo muito bem ajustado. Mas, ao transitar pelo dia não estaremos expostos a encontros inesperados? Caminhos cruzados pelo acaso a fazer com que estejamos com quem sequer estava em nossos pensamentos.
      Sabemos definitivamente por onde passaremos durante um dia inteiro? Podemos até ter tudo muito bem arrumado em nossas pretensões sendo que isso não tem como bloquear a ação do surpreendente. De repente a necessidade da mudança de rumo. O que era para ir por ali passa a ir em sentido inverso e assim é que vamos experimentando novidades a nos conduzirem sabe-se lá para onde.
      WWW.hellowebradio.com ... surpresas e mais surpresas.
Belo Horizonte, 21 setembro 2017
A GIRAFA CABISBAIXA
     Beija-Céu não estava bem. Seu perambular apático denunciava alguma preocupação. Um sonho distante.
     Beija-Céu achou por bem exuberar sua imaginação. Cismou com a vida.
     A girafa cabisbaixa refletia imagem cruel, completamente contrária à sua estatura e ao seu jeito de ser, esguio. Mas, quem na vida não passa por dias assim? Afinal, a girafa tem lá o seu jeito de sentir o mundo. E por mais inofensivas que sejam, há nas girafas sensibilidade.

Belo Horizonte, 27 Setembro 1998

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PRIMAVERIS


PRIMAVERIS
      Caminho pela tarde ensolarada de primavera vestida de verão com o florescer de insinuante calor. Assuntos que perambulam por meus passos seguidos pelos minutos devidamente ajustados com o que tenho para fazer.
     Na marca da lembrança compromisso a conversar comigo pela antecedência a descrever singular expectativa a não merecer mais que íntimas considerações.
     Tem muita gente à solta por aí querendo saber do que não é da sua conta e isso termina por desencadear o inoportuno.
     Na quietude da tarde cuido do que tenho a fazer sabendo do quanto necessito alimentar meu querer com o mais solene acolhimento da fé e estamos conversados.
      WWW.hellowebradio.com ... suas tardes primaveris.
Belo Horizonte, 20 setembro 2017
SEM IMPORTÂNCIA
     Passei a dar pouca importância ao que oportunamente poderá ou não, ser importante. Trata-se de matéria subjetiva. O que para mim poderá parecer ser tão importante, para outra pessoa poderá simplesmente não ter o menor sentido. Aí, mais importante que tudo, será compreender as tantas relações dos valores existentes por aí. O que nem sempre torna-se compreensível. Até porque, em muitos casos, a compreensão surge como algo sem qualquer importância. Daí, a intolerância do que não chega a ser tão importante quanto parece.

Belo Horizonte, 23 agosto 1998

terça-feira, 19 de setembro de 2017

IMPULSÃO

IMPULSÃO
     As coisas acontecem numa demonstração clara do quanto somos contemplados por aquilo que acreditamos. Razão para que enalteçamos sempre a fé capaz de provocar transformações espantosas em nós e em tudo que nos cerca.
     Chega a ser simples constatar o quanto conseguimos quando impulsionados pelo acreditar porque as evidências brotam com facilidade impressionante. Isso sem tocar naquilo que demonstra não ter capacidade de maior avanço fazendo com que nos afastemos do que sugere vir a se transformar em transtorno.
      Tudo fica muito mais claro quando pela fé tratamos de seguir pela trilha da luz.
      www.hellowebradio.com ... fé acesa na alma.
Belo Horizonte, 19 setembro 2017
DO VALE DO RIO DOCE
O Hidelfonso chegou de repente. Sisudo, concentrado, pronto para mostrar serviço. Do estojo, mala ou caixa portada por ele, surgiu o saxofone tenor.
     A noite transformou-se em surpreendentes instantes. De cada música que ia surgindo, a empolgação transformada no mais efervescente contágio. Notas vibradas pela vivência do músico vindo lá do Vale do Rio Doce, Governador Valadares na mais calorosa demonstração do talento trazido pelo Hidelfonso do sax  tenor.
     A madrugada na dança, no canto, no suspiro e na lembrança veemente daquele saxofone que foi do bolero ao samba, sem o menor constrangimento. Quando então surgiu o chorinho, aí é que o Hidelfonso exuberou mesmo o seu sax  tenor.

Belo Horizonte, 16 agosto 1998

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SOLTO NO AR

SOLTO NO AR
     No silencio comigo mesmo chego ao bar e peço uma cerveja. Diante da mesa tento lembrar quando foi a última vez que estive em um bar e pedi uma cerveja. A lembrança falha quando me dou conta de que faz muito tempo que não faço isso. Aí busco aquela última vez chegando à ocasião em que fui estar com meu amigo Maurício. Mas isso já faz meses que aconteceu. Foi a última vez?
     A cerveja acaba, pago a conta e vou embora sem ter a menor ideia de quando, sozinho e pela última vez entrei em um bar e pedi uma cerveja.
      www.hellowebradio.com ... tempo solto no ar.
Belo Horizonte, 18 setembro 2017
DANÇARINO
     Outras averiguações. A vontade de dançar não chegou a ser tão forte. Mas, havia sim alguma intenção. O bandolim do Tião emanava a vontade de dançar. E depois de presenciar a interpretação do Mauro Rodrigues com sua flauta, o chorinho estampava a euforia da dança.
     Veio então o trombone do Sampaio arrancando do peito qualquer dúvida. Eu dançarino no aceno simpático da noite. Tudo muito simples. São dois passos pra lá, são dois pra cá. A respiração assumida por outro compasso, confundia a dualidade do espaço. Eu estava dançando.

Belo Horizonte, 08 agosto 1998