Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

quinta-feira, 24 de maio de 2018

ABENÇOANDO


ABENÇOANDO
Sobrinha toma benção
Pra quê transformar uso
Em desuso
De respeito e atenção?
Melhor seguir tradição
Evitando abuso,
Por tantas vezes confuso,
Do que viver em contradição.
Insistir no revolucionário
Tresloucado
É avançar em sentido contrário.
Valorizar o agir recatado
É dar brio
Merecedor do mais solene cuidado.

Belo Horizonte, 24 maio 2018
NOVOS RUMOS
     Acordei pensei deduzi que aquele sábado 19 fevereiro apresentava-se como dia muito especial, diferente dos diferentes dias que nascem todo dia. Dedução simples, mas com jeito confuso próprio de tudo aquilo que destaca-se de todas as coisas.
     Não deu outra. Só que imaginei justo contrário do que de fato aconteceu. Forte demonstração de momento a exigir zelo cuidado toda atenção ao que tem feito acontecer a vida em alguns surpreendentes e dispensáveis acontecimentos. Momento para averiguar sentido de transformações impostas pela necessidade que traz consigo preciosos recados sinais.
     O fato de ficarmos apegados a procedimentos transformados em hábitos acaba obstruindo a percepção nossa sobre interessantes detalhes a serem averiguados. Resolvo então assumir firme termo de mudança que então busca da criatividade novos rumos.
Belo Horizonte, 23 fevereiro 2005 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

FAZENDO MALAS



FAZENDO MALAS
Vai para Moscou?
Não vou.
Vontade pousou
Vontade voou.
E o vento levou
Filme que acabou
Em lágrima que secou
Pronto acabou.
Vai para Fortaleza?
Aí sim, com certeza
Já fazendo malas.
Tranco portas e janelas
Abro braços qual asas
Viver é mesmo uma beleza.

Belo Horizonte, 23 maio 2018
Balada DO BURACO
Ela badala
Na balada
Da noite
Encantada.
Ela fala brinca
Ri conversa
Lábios sedentos
Olhos atentos.
Ela traz leva
Sonho corpo
Desejo.
Ela vem vai
Com seu jeito
Gostoso.

Belo Horizonte, 13 fevereiro 2005

terça-feira, 22 de maio de 2018

ESCARLATE







ESCARLATE
Ao invés de chocolate
Vamos comer abacate
Amassadinho com açúcar
Não há o que contestar.
Salada de tomate
Dia escarlate
Cores soltas no ar
Apetite ido ao aquarelar.
Corpo pede alimento
Doce ou salgado
Amor pede sentimento
Sempre acalorado
Cheio de envolvimento
Bem temperado.

Belo Horizonte, 30 maio 2018
LIMITES
     Não basta ser católico para ser católico. É preciso viver o ser católico.
     Não basta dizer ser católico. É preciso dizer e agir qual ser católico.
     Não basta acreditar para que o acreditar acredite sem no entanto escapar de suas dúvidas. É preciso acreditar acreditando na entrega da fé que assim estará libertando o ser de algumas tantas desavenças suas. É preciso perceber a legítima dimensão da simplicidade, para que dela não sejamos levados ao insano cultivo de tantas complicações. É preciso entender que não conseguimos entender o absoluto de todas as coisas. É preciso que tenhamos a humildade de perceber o verdadeiro sentido dos mistérios a desafiarem a compreensão da nossa mais sincera aceitação.
     Por sermos seres limitados é que deveremos respeitar e admitir limites, para que não adotemos a inconveniência, como conveniente instrumento de nossos abusos. Assim é que estaremos sempre mais próximos de nós mesmos e de tudo todos os seres inseridos ao nosso mundo que nunca deverá estar restrito ao mero individualismo. Assim é que estaremos acreditando em tudo que nos é concedido, sem ficarmos propondo desafios a só contribuírem para a expansão dos conflitos. É assim que estaremos verdadeiramente amando Deus sobre todas as coisas.
Belo Horizonte, 25 abril 2005

DIA DE SANTA RITA


DIA DE SANTA RITA
Meu pai nasceu
No dia de Santa Rita
Meu pai viveu
Vida bonita.
Meu pai morreu
Em tarde aflita
Mas não desapareceu
Desta lembrança infinita.
Da eternidade o silencio
Marcado pelo mistério
De fogo aceso no pavio
Calor invadindo o frio
Luz impondo desafio
À escuridão desse convívio.

Belo Horioznte, 22 maio 2018
BURACO VIVO

Mangueira manga
Sabor maduro
Casca polpa
Caroço semente.
Cova buraco
Terra água
Mergulho que desce
Em busca da vida.
Silencio sombra
Ausência quieta
Luz que vem brotando.
E nasce a planta
Raiz caule tronco
Folha flor fruto.

Belo Horizonte, 05 fevereiro 2005

segunda-feira, 21 de maio de 2018

CONVENIENTE





CONVENIENTE
Não põe pés no chão
Sempre necessidade de um chinelinho
Ou sapatos de grande expressão
Manhã não é só do passarinho.
Deselegância não,
Nada de desalinho
Vaidade vem do coração
No meio do caule tem espinho.
Detalhes são importantes
Valorizando origem
Daquilo que antes
Vem a fazer bem
Aos nossos instantes
E ao que nos convém.

Belo Horizonte, 21 maio 2018

ÁGUA DE PEDRA
Sou levado a subir
Sou elevado ao subir
Sou chão que sobe
Sou subida deste chão.
A terra é funda
Profundo mistério
Que abre fecha
Frestas olhos da terra.
Sou terra na pele
Pés que pisam na terra
Eu empoeirado.
Sou terra na sede
Transpirar úmido de pedras
Eu bebendo água.

Belo Horizonte, 29 janeiro 2005

domingo, 20 de maio de 2018

CANETA PRATEADA


CANETA PRATEADA
Ganho caneta antiga
Guardada e esquecida
Quieta e sem fadiga
Sem tinta, mas com vida.
Basta trocar carga amiga
Para que escrita seja lida
Deixando que inspiração siga
Mais encontrada que perdida.
Dia ganha motivo
Para emoção realçada
Por gesto tão expressivo.
De repente do nada
Eis que convivo
Com esta caneta prateada.

Belo Horizonte, 20 maio 2018
Banho MILAGROSO
     Cano do chuveiro quebrou. E já trato de advertir que não é porque estou em pleno buraco que deixo de ter acesso ao tal chuveiro.
     Problema é que cano quebrou lá na pontinha, justo quando enrosca no cano que vem da parede pedra. Aí ficou uma parte lá dentro, como indesejável anel a impedir que o cano quebrado, com restinho de rosca, seja enroscado. Eis o problema.
     Como se não bastasse esse buraco, eis que tenho em mãos chuveiro sem serventia. Penso daqui, penso dali. Depois de muito matutar, o milagre. Por incrível inexplicável suceder, eis que encontro peça com rosca que encaixo colo na parede pedra. Respiro fundo e vou com chuveiro cano e fé para novo enroscar. Peça não suporta peso do chuveiro. Sinto-me pensando constrangido irritado.
     Novo tempo, novo milagre. Apoio cano em fio mais que providencial que já estava ali mesmo, sem qualquer utilidade. Assim deu certo.
     Tudo pronto. Para aliviar, chuveiro funciona. Tomo banho milagroso. Resta agora, continuar subindo por esse buraco.
Belo Horizonte, 24 janeiro 2005

sábado, 19 de maio de 2018

AMANDO

AMANDO
Trituro o ódio com amor
Diluo a raiva com amor
Desprezo a vingança com amor
Ignoro a intolerância com amor.
Entrego o viver ao amor
Banho a fé com amor
Alimento a resistência com amor
Sigo pela trilha do amor.
Quanto mais insisto no amor
Maior o respeito obtido do amor
A mostrar que só pelo amor
É que conseguimos pelo amor
Chegar à luz do amor.

Belo Horizonte, 19 maio 2018
CHUVA NO BURACO
     O que é estar perambulando por um buraco cheio de passagens labirintos, subidas descidas e trilhas planas a estarem sempre surpreendendo a gente? Aparece de tudo nesse buraco de inacreditáveis revelações que chegam até a envolver cidade inteira.
    Pensa que no fundo de um buraco não chove? Chove e chove muito. Até porque em alguns lugares o céu aparece lá longe, torneado pelo que então descreve lá em cima uma das tantas bocas do buraco. Agora mesmo a cisma está nessa vastíssima passagem que não mostra nenhuma subida ou descida. É tudo plano que avança mostrando imagens dessa cidade que aparece desaparece entre singulares galerias. E quando suspiro sensação de ter criado versos de um poema, eis que tomado sou pelo sopro da Fada do Calor assumindo autoria deles.
Belo Horizonte, 18 janeiro 2005